Incompetente, Christian de Castro, não tem mais a menor condição de presidir a Ancine

Por Ricardo Antunes

Boçal, chato, pretensioso, enrolado, desonesto e deslumbrado. Você nem precisa subir ao décimo andar do prédio da Ancine, que fica na Avenida Graça Aranha, centro do Rio onde despacha o diretor-presidente da Ancine, Christian de Castro, para ouvir a série de adjetivos com os quais ele é brindado diariamente.

Christian raramente chega ao local de trabalho logo cedo. Geralmente, começa a despachar apenas por volta das 10 da manhã. Morador do bairro de São Conrado, sócio do Clube Fluminense, ele também é "figurinha" carimbada nos restaurantes mais caros e badalados da cidade.

É também conhecido por usar trajes de "playboy" em seu vestuário, menosprezando formalidade que o cargo exige. Frequentemente é visto de boné e outros adereços. Um estilo "casual chic" bem ao gosto da patota do Rio que domina o setor a "mão de ferro".

Na própria Avenida Graça Aranha e nos bares da esquina da região, a fama do carioca de 46 anos se espalhou. Entre produtores, cineastas, servidores e terceirizados o rapaz é unanimidade na soberba e na fantasia de que é um "Deus" que tudo pode.

Como se não bastasse tudo isso, Christian continua fazendo que não é com ele em meio às viagens internacionais e a mordomia que o cargo oferece.

E, mesmo aconselhando por alguns, faz tudo que um gestor decente não poderia fazer. Investigado por várias irregularidades, ele nomeou no final de abril, seu amigo e “brother” (como ele costuma dizer), João Pinho para a secretaria executiva do órgão.

Nada demais se o mesmo não estivesse envolvido com irregularidades na prestação de contas de filmes aprovados pela Ancine.

Essa nomeação, no entanto, já estava no epicentro da crise que tomou conta da agência desde que se notou a incapacidade de gestão do presidente para um órgão de tamanha importância.

Sem qualquer pudor, Cristian de Castro já havia feito outra "traquinagem" Fez do seu assessor, Magno Maranhão, que é servidor concursado da agência, o novo superintendente de registro da agência, cargo cobiçado por muitos pelo seu poder.

Ele será responsável por todos recursos vindos do imposto cobrado sobre a veiculação de obras cinematográficas. Esse imposto é um dos recursos que compõem o bilionário Fundo do Audiovisual.

Magno, outro “brother” do presidente foi alvo de busca e apreensão em seu próprio gabinete pela Polícia Federal, em uma investigação conjunta com o MPF que corre em segredo de justiça.

Não é à toa que o TCU determinou que a Ancine não celebre novos contratos que destinem dinheiro público para o setor audioviosual. Na ocasião, um ministro provocado pelo nosso blog confidenciou: “A Ancine já é caso de cadeia”, disse fazendo menção também ao período em que o PCdoB, na gestão de Lula e Dilma, comandou a agência.

Christian de Castro foi colocado na Ancine pelas mãos do ex-ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, que ao contrário do mesmo tem habilidade política e é "jeitoso" no trato com as pessoas.

Em pouco tempo de poder, Castro tinha tanta consideração pelo seu "criador" que deixou esperando um produtor nada menos do que cinco horas.

A agenda do mesmo havia sido pedida pelo então ministro que, pouco a pouco, foi se afastando da “criatura” para não “ficar queimado” no setor.

Para completar, há 15 dias ele esteve perambulando em Brasília para emplacar mais um de sua “patota”. Não se sabe como, conseguiu que o ministro Osmar Terra nomeasse Marcos Tavolari para o cargo de assessor do ministério. Detalhe: Tavolari também foi um dos alvos de busca e apreensão que a PF realizou em dezembro do ano passado na sede da Ancine, no Rio de Janeiro. Muita gente jura que o ministro foi enganado.

Coluna da Mônica Bergamo destaca a traquinagem do presidente diretor, ao nomear servidor investigado.
Coluna da Mônica Bergamo destaca a traquinagem do presidente diretor, ao nomear servidor investigado.

Uma reunião entre cineastas e a cúpula da Ancine realizada na sexta-feira (3) terminou em bate-boca e troca de acusações entre Christian de Castro e o célebre produtor, Luiz Carlos Barreto mais conhecido no meio como “Barretão”.

O produtor de obras como “Bye, Bye Brasil”, “Terra em Transe”, “O que é isso companheiro?”, apontou o dedo no rosto do rapaz e detonou: “Você tem que entender que a Ancine não é propriedade particular sua. Ela é nossa e existe porque nós existimos”, disse em alto e bom som.

Luiz Carlos Barreto, mais conhecido como Barretão, ícone do cinema nacional, teceu várias críticas ao presidente da Ancine

O cargo do "malandro" diretor, que nunca produziu nada de concreto na sua vida de cineasta, termina somente no próximo ano. Mas em Brasília já ocorrem pressões para que o ministro, Osmar Terra, retire Christian da presidência do órgão e indique um dos quatro diretores para o seu lugar.

Marcos Tavolari foi nomeado como secretário de Direitos Autorais e Propriedade Intelectual do MinC
Além dos escândalos causados pelo presidente, a Ancine é alvo do TCU que pediu explicação sobre a suspensão de novos repasses para produção de filmes e séries

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da Redação

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