Opinião: Governo Trump pode ter se precipitado na leitura da atual crise na Venezuela

Por Mark Landler e Julian E. Barnes, do New York Times

Ninguém disse que a mudança de regime seria fácil. Os principais conselheiros do presidente Donald Trump acordaram na terça-feira acreditando que uma rebelião militar na Venezuela naquele dia galvanizaria uma revolta popular e derrubaria um líder que eles descrevem como um déspota que deve ser substituído.

Mas, no fim do dia, o presidente Nicolás Maduro ainda estava no poder. Aos conselheiros de Trump restou culpar Cuba, Rússia e três influentes autoridades venezuelanas, que não mudaram de lado, por frustrarem seus planos.

A decisão desses venezuelanos de apoiar Maduro — seja porque foram intimidados, fraquejaram ou nunca planejaram desertar — levantou dúvidas sobre se os Estados Unidos tinham informações errôneas a respeito da capacidade da oposição de fazer membros do governo Maduro trocarem de lado.

Também levantou questões sobre se os assessores de Trump foram vítimas de uma leitura equivocada dos acontecimentos. Ou se Trump, que segundo autoridades às vezes se apressa demais no seu entusiasmo para derrubar Maduro, pode acabar perdendo a fé nos esforços atuais quando eles se desgastarem.

Maduro perde força em casa e se vê desmoralizado no exterior, mas continua sendo um persistente rival que se recusa a ceder o poder ao líder da oposição, Juan Guaidó, reconhecido pelos Estados Unidos como o líder de facto.

Os assessores de Trump apostaram que a convocação de Guaidó para protestos maciços e a deserção das autoridades venezuelanas na terça-feira seria um ponto de virada na campanha dos últimos três meses para derrubar Maduro. O vice-presidente Mike Pence e o secretário de Estado Mike Pompeo tuitaram seu apoio à “Operação Liberdade”, enquanto o assessor de Segurança Nacional, John Bolton, ressaltou a importância estratégica deste momento.

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da Redação

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