Confrontos entre policiais, black blocks e coletes amarelos marcam 1º de Maio na França

Da assessoria de imprensa com informações de O Globo

As tradicionais passeatas do Dia do Trabalho em Paris, geralmente pacíficas e dedicadas a reivindicações salariais, foram marcadas por forte esquema de segurança e confronto entre militantes radiciais, ' coletes amarelos ' e a polícia. O clima esquentou em Paris quando a polícia recorreu ao gás lacrimogêneo para dispersar centenas de "black blocs" — militantes anticapitalistas e antifascistas vestidos de preto e com o rosto coberto — que protestavam contra as políticas do presidente Emmanuel Macron e lideravam a tradicional marcha da união de 1º de Maio. A tensão pode se intensificar à tarde, quando estão marcadas novas manifestações organizadas por sindicatos de trabalhadores.

Os enfrentamentos começaram às 8h (hora de Brasília) perto do restaurante La Rotonde, que foi protegido com tapumes e pos policiais fortemente armados. Um manifestante foi ferido na cabeça, segundo um jornalista da AFP.

Grupos de ‘black blocs’ e ‘coletes amarelos’ responderam o ataque da polícia lançando pedras e outros projéteis contra os policiais. Imagens da televisão mostraram uma van com suas janelas quebradas. Além de contar com representantes dos sindicatos trabalhistas e da população em geral, os protestos foram reforçados pelo ‘coletes amarelos’.A polícia francesa havia alertado na terça-feira sobre possíveis confrontos no Dia do Trabalho, com grupos anarquistas de extrema esquerda, conhecidos como Black Blocs , após as convocações publicadas em redes sociais para que os radicais fossem às ruas. Desde a madrugada, vários policiais começaram a revistar pessoas aleatoriamente nas proximidades da estação de Saint-Lazare, no centro de Paris.

Policiais e manifestantes entram em confronto no distrito de Montparnasse, em Paris, antes do início da tradicional passeata do Dia 1º de Maio. Mais de 7.400 policiais e gendarmes foram mobilizados para reforar a segurança na capital francesa Foto: ZAKARIA ABDELKAFI / AFP

Mais de 7.400 policiais e gendarmes foram mobilizados na capital francesa para as manifestações. As autoridades esperavam que cerca de dois mil 'black bocs' da França e de toda a Europa participassem dos tradicionais comícios pelo 1º de Maio. Até o início da tarde, a polícia havia feito 200 prisões.

Desde a madrugada, vários policiais começaram a revistar pessoas aleatoriamente nas proximidades da estação de Saint-Lazare, no Centro de Paris. A polícia ordenou o fechamento de cerca de 600 hotéis, lojas e restaurantes instalados na rota das manifestações.

Embora estejam previstas manifestações em toda a França, a atenção está voltada para a capital, muitas vezes palco de incidentes desde o início dos protestos dos "coletes amarelos". Esse movimento, que desde meados de novembro tem saído às ruas todos os sábados para protestar contra a política fiscal e social do governo, também está presente nesta quarta-feira.

Manifestantes mascarados vestidos de preto em meio à fumaça de gás lacrimogêneo durante confrontos com a polícia antes do início da passeata anual do Dia de Maio em Paris Foto: ALAIN JOCARD / AFP

O presidente Emmanuel Macron exigiu na terça-feira que a resposta aos "black blocs" — militantes anticapitalistas e antifascistas vestidos de preto e com o rosto coberto — seja "extremamente firme" em caso de violência, após as chamadas nas redes sociais para transformar Paris na "capital dos distúrbios". No ano passado, 1.200 militantes radicais mancharam a manifestação em Paris com atos violentos: lojas vandalizadas ou incendiadas, veículos queimados e feridos.

Entre os "black blocs" e os "coletes amarelos", os sindicatos esperam recuperar a visibilidade através de vários comícios e uma grande manifestação pela manhã, saindo de Montparnasse até a Place d'Italie, no sul da capital. O cortejo vai passar em frente ao famoso restaurante de la Rotonde, um "símbolo" do poder desde que Emmanuel Macron comemorou ali sua ida ao segundo turno das eleições presidenciais de 2017. Os proprietários do restaurante admitiram na terça-feira estarem um pouco nervosos, considerando o que aconteceu ao famoso Fouquet's, da avenida Champs-Élysées, saqueado e queimado, em 16 de março durante uma manifestação dos "coletes amarelos".

Protestos na Turquia

Na Turquia, a polícia de Istambul disse que deteve 127 pessoas nesta quarta-feira, em várias partes da cidade, incluindo os distritos centrais de Besiktas, Sisli e Beyoglu, por tentar realizar manifestações ilegais em várias partes da cidade para celebrar o Dia do Trabalho. A polícia cercou a praça Taksim, no centro de Istambul, mas pequenos grupos de manifestantes se dirigiram ao local de qualquer maneira.

"As praças pertencem às pessoas, elas não podem ser fechadas. Viva a vida no dia 1º de Maio", gritavam os manifestantes, enquanto a polícia os dispersava para longe, cobrindo as bocas para impedi-los de cantar e gritar palavras de ordem.

Os protestos pelo 1º de Maio, o feriado internacional dos trabalhadores, são uma ocorrência anual na Turquia e, no passado, foram caracterizados pela ação policial contra os manifestantes. Os protestos centraram-se frequentemente na praça Taksim, onde 34 pessoas foram mortas durante manifestações em 1º de maio de 1977.

No começo do dia, a polícia permitiu que uma cerimônia dos líderes sindicais fosse realizada na Praça Taksim, e outro grupo colocou cravos em uma rua próxima. As autoridades permitiram ainda que as celebrações fossem realizadas no distrito de Bakirkoy, localizado a alguma distância do centro da cidade.

Em Cuba, apoio a Maduro

Desde as primeiras horas da manhã, milhares de cubanos começaram a se deslocar para os locais de concentração para as manifestações pelo 1º de Maio, com bandeiras e grandes panos com slogans de apoio ao governo e a seu aliado venezuelano e contra a política do presidente Donald Trump, que ameaçou a ilha com um "embargo total", a menos que o governo cessasse seu apoio militar a Nicolás Maduro. Com a presença do presidente Miguel Diaz-Canel e líder histórico Raul Castro, centenas de milhares de trabalhadores começaram a marchar em 7h (hora local) na Praça da Revolução, sob o lema "unidade, empenho e vitória."

Ao contrário de outros anos, não houve nenhum orador no início do desfile e, em vez disso, ouviu-se uma gravação do líder histórico em falta, Fidel Castro.

"Nós daremos forte, firme e resposta revolucionária às declarações cheias de ameaças, provocações, mentiras e calúnias do império ianque. # Cuba confirma que somos livres, soberano, independente e socialista", Diaz-Canel disse em um tuíte antes de iniciar a marcha . "Rejeitamos fortemente a ameaça de bloqueio total e de #Trump completa contra # Cuba. Não há operações militares ou tropas cubanas em #Venezuela. Apelamos à comunidade internacional para parar a escalada agressiva perigoso e preservar #Paz. Chega de mentiras", completou.

Passeatas semelhantes serão realizadas nas capitais provinciais, convocados pela Central de Trabajadores de Cuba (CTC), em férias na ilha. De acordo com o palestrante do evento, mais de 1.420 "amigos de Cuba", de 102 países e 140 organizações sindicais e de solidariedade com a ilha, participam do desfile.

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da Redação

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