Morre aos 85 anos, o artista popular Zé do Carmo

Da Redação em Brasília com informações de Gabriela Castello Buarque do OP9

Faleceu na manhã desta sexta-feira (26), por volta das 7h15, o artista popular José do Carmo Souza, mais conhecido como Zé do Carmo, 85. O artesão, considerado patrimônio vivo de Pernambuco desde 2005, era famoso por suas grandes peças esculpidas em barro que retratavam tradições, festejos e rituais religiosos no universo da cultura nordestina. O velório será realizado na residência do mestre, na rua Padre Batalha, em Goiana, Zona da Mata Norte do Estado. O sepultamento está previsto para acontecer às 16h, no cemitério do município.

De acordo com a família, o artesão passou 11 dias Internado no hospital da cidade por problemas relacionados à idade e ao ofício. Zé do Carmo tinha apenas 19% da capacidade pulmonar. Segundo o filho do artista, o comprometimento respiratório surgiu por conta do manuseio do barro e das tintas que Zé do Carmo usava em seus trabalhos sem a proteção da máscara. Além disso, ele também sofria dos males de Alzheimer e de Parkinson e de problemas no coração, causas da parada cardíaca que provocaram a morte dele.

A Secretaria de Cultura emitiu nota de pesar, na qual assegura que manterá viva a memória do artista. “Ficam registrados aqui nosso lamento, nossa gratidão e o compromisso de seguir contribuindo para a preservação de sua memória”. O governador de Pernambuco, Paulo Câmara, também se manifestou por meio de nota. “Nossa cultura popular perde uma das suas principais referências, mas o legado de Mestre Zé do Carmo para o nosso artesanato permanecerá, eterno como seu talento com o barro e a pedra, matérias-primas com as quais soube tão bem representar o homem, a tradição, a religiosidade e a cultura do Nordeste”.

“Agradecemos a todo o pessoal que se importava, que gostava dele e do seu trabalho, e pedimos que façam o que puderem fazer para manter a imagem e o legado dele vivo. Ficaremos imensamente felizes por isso”, agradeceu, emocionado, José do Carmo Filho.

Zé do Carmo exibe prêmio conquistado pelo seu trabalho como artesão

Talento herdado da mãe foi manifestado durante a infância

Nascido em 1933, Zé do Carmo iniciou sua caminhada artística em Goiana, aos sete anos, tendo como principal referência sua mãe, Joana Izabel de Assunção, que também era artesã. Com ela, Zé aprendeu a retratar figuras populares como mendigos, agricultores, Pretos Velhos, anjo cangaceiros, jornaleiros e personalidades históricas na cultura nordestina como Padre Cícero, Lampião e Maria Bonita. Por sua paixão e dedicação, além da originalidade, o artista se tornou Patrimônio Vivo do Estado em 2005.

Além do barro, José também esculpia em pedra, talento que garantiu a atração de muitos discípulos de sua arte, como Mário Pintor, Tog, Luiz Carlos, Précio Lira, Andréa Klimit e Tiner Cunha.

Em 1980, Dom Helder Camara pediu ao artesão que criasse uma escultura para ser entregue ao papa João Paulo II. Zé criou a imagem de um anjo com características de cangaceiro, remetendo à cultura nordestina. Camara não aprovou o trabalho, afirmando que a imagem era profana. Vetada pelo religioso, a imagem nunca chegou às mãos do Papa e hoje é exibida em seu ateliê, na cidade de Goiana.

da Redação

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