'Bolsonaro vai ter que bater na mesa e empoderar o ministro, seja quem for’, diz educador desconvidado a assumir o MEC

Com informações do O Globo

O educador e diretor do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves Ramos, contou em entrevista para O Globo, que observa de longe a paralisia do MEC e é taxativo ao dizer que a inabilidade de Vélez e o fato de Bolsonaro permitir interferências externas na pasta formam a “tempestade perfeita” que está na origem da crise do ministério.

Mozart Neves aceitou convite para ser o ministro da Educação no governo Bolsonaro. Mas, por influência da bancada evangélica, o presidente recuou e nomeou para o posto Ricardo Vélez Rodríguez.

"Fui convidado pelo ministro Onyx, que representava o presidente. Eu aceitei o convite, mandei meu currículo, estava tudo certo para ter a conversa com Bolsonaro, mas houve uma queda de braço com a bancada evangélica, o que é legítimo e normal da política. Então o presidente foi buscar Vélez para resolver o problema. Prever o futuro é sempre difícil", conta Mozart Neves.

O presidente Jair Bolsonaro e o Ministro da Educação, Ricardo Vélez durante posse

Ainda em entrevista, ele revela a sua opinião sobre a responsabilidade pela crise no MEC. "É uma tempestade perfeita. O grande desafio do Vélez era a ausência de experiência em gestão pública. Para gerir o maior órgão da Educação no país é muito importante que se tenha alguma experiência, por outro lado isso teria sido minimizado se ele tivesse tido a oportunidade de formar uma boa equipe, harmoniosa. Mas ele também não teve. Teve uma equipe muito fragmentada de acordo com os interesses não só da bancada evangélica, mas também do Olavo de Carvalho, dos militares, do Paulo Guedes. Ele teve um coquetel de pessoas com ideologias e pensamentos diferentes. E continuamente as ingerências externas", diz.

"Na minha opinião, o nível de desgaste do ministro Vélez é irreversível. O ministério precisa de um novo oxigênio. Não adianta botar quem quer que seja se não houver autonomia para formar sua equipe, conduzir os processos sem a ingerência de pessoas externas. O ministro tem que ser blindado pela Presidência da República".

Ramos lança na semana que vem o livro “Sem educação não haverá futuro” (Moderna), que reúne artigos seus publicados na imprensa de 2016 a 2018, sobre os principais gargalos no setor.

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da Redação

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