Os ‘bombeiros’ que atuaram na trégua entre Maia e Bolsonaro

Por Marco Grillo / Estadão

Horas antes de a crise protagonizada por Jair Bolsonaro(PSL) e Rodrigo Maia(DEM-RJ) atingir o ápice, no início da noite da última quarta-feira, uma trégua havia sido celebrada. Com o aval do presidente da Câmara dos Deputados, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), entrou no Palácio do Planalto naquela manhã com a tarefa de retomar as pontes e encerrar o confronto público — e saiu da conversa com Bolsonaro e o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM), com o compromisso de que os dois lados da disputa diminuiriam o tom.

A mensagem foi levada a Maia, e a reunião foi considerada produtiva. Ali também ficou estabelecido que Bolsonaro chamaria líderes partidários para reuniões, com o objetivo de melhorar a relação com o Congresso e facilitar o trâmite da reforma da Previdência. A ideia de Onyx é implementar o cronograma depois que Bolsonaro voltar de Israel, para onde embarca neste sábado.

O grupo que atuou como bombeiro do lado de Maia — além de Caiado, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM) — comemorou o resultado do encontro, mas a sensação durou pouco.

Maia estava na Câmara quando foi avisado que Bolsonaro havia gravado uma entrevista para a TV Bandeirantes. Ao apresentador José Luiz Datena, o presidente ironizou o rival, que, segundo ele, estava “abalado por problemas pessoais”. A referência, indireta, mas pouco sutil, à prisão do ex-ministro Moreira Franco (MDB), padrasto da mulher de Maia, o irritou profundamente. Um deputado que estava ao lado do presidente da Câmara no momento da declaração disse que a menção a uma questão familiar, na interpretação de Maia, ultrapassou o limite do que seria aceitável em uma desavença política. A reação foi imediata.

— Abalados estão os brasileiros, que estão esperando desde 1º de janeiro que o governo comece a funcionar. São 12 milhões de desempregados, 15 milhões de brasileiros vivendo abaixo da linha de pobreza, capacidade de investimento do Estado brasileiro diminuindo, 60 mil homicídios, e o presidente brincando de presidir o Brasil — disse Maia a jornalistas.

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da Redação

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