Fundaj reúne pesquisadores para apresentar dados sobre contaminação em Brumadinho

Com informações da Assessoria de Imprensa

O avanço da contaminação dos rejeitos após o rompimento da barragem de Brumadinho será debatido por especialistas na Fundação Joaquim Nabuco. O Seminário Pós-Brumadinho, impactos para o Rio São Francisco será realizado nos dia 28 e 29 de março, das 9h às 15h45, no Cinema do Museu, campus Casa Forte da Fundaj. Pesquisadores divulgarão, após trabalho de campo, o resultado da análise das 36 amostras que foram coletadas nos leitos dos rios São Francisco e Paroepeba, na represa de Três Marias.

Uma nova nota técnica de pesquisa emergencial "Monitoramento Geoespacial da Contaminação do Rio São Francisco Pós-Brumadinho" também será lançada por Neison Freire, Coordenador do Seminário e Supervisor do Centro Integrado de Estudos Georreferenciados (CIEG) da Fundação. “Vamos apresentar também o trabalho de campo que fizemos durante uma semana em Brumadinho", destacou.

O vice-presidente do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Caatinga (CNRBCAAT) e especialista em Gestão Ambiental do Instituto do Meio Ambiente do Estado de Alagoas, Afrânio Farias de Menezes, divulgará os resultados das 36 amostras que foram coletadas nos leitos dos rios São Francisco e Paraopeba, na represa de Três Marias. Além de apresentar os últimos estudos desenvolvidos sobre a tragédia de Brumadinho, o seminário discutirá, sobre diversos pontos de vistas e áreas de conhecimento, o meio ambiente, a saúde pública, os recursos hídricos e a economia. “O seminário vai enfatizar como os desdobramentos de Brumadinho podem afetar o Rio São Francisco", ressaltou Freire.

A programação é composta por quatro mesas redondas. A primeira foca nos aspectos e repercussões territoriais do desastre. Será dirigida pela coordenadora do Centro de Estudos em Dinâmicas Sociais e Territoriais (Cedist) da Fundaj, Edilene Pinto. "Essa mesa enfoca particularmente o Rio São Francisco, um dos mais importantes rios brasileiros. Abrange uma região que já é bastante sacrificada pelas condições climáticas que é o Semiárido brasileiro. Além da sua importância na economia devido a produção agrícola e de energia, a bacia do rio com seus afluentes garante a sobrevivência da fauna e flora de uma região que compreende três biomas: caatinga, cerrado e mata atlântica", disse.

Seminário traz novos dados sobre contaminação após o rompimento da barragem - Foto: Arquivo Fundaj

O tema da segunda mesa será o uso e o risco da água. O professor William Severi, do Departamento de Engenharia de Pesca da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) será o coordenador. O pesquisador da Fundação, João Suassuna, participa do debate explicando os processos de degradação ambiental no Rio São Francisco. "Os principais assuntos abordados por mim serão os esgotos que estão sendo lançados, o desmatamento, a progressão da cunha salina e os usos descontrolados das águas de subsolos e dos principais aquíferos", comentou Suassuna.

A penúltima mesa mostra como as pessoas estão vivendo na região do desastre em Minas Gerais, além dos impactos locais, ações e reações da sociedade. Será coordenada pela professora Cynthia Suassuna do Departamento de Ciências Jurídicas da Universidade Católica de Pernambuco. Participam desse debate Marluce Pereira, Gerente de Desigualdades da Prefeitura Municipal de Pompéu, em Minas Gerais, Josemar Durães, do Movimento de Pescadores Artesanais de Minas Gerais e Karine Guedes Ramos, Coordenadora Regional do Movimento dos Atingidos pelas Barragens (MAB/MG).

Já a mesa de debate sobre os impactos econômicos e sociais do desastre ambiental de Brumadinho será dirigida pela pesquisadora da Fundação Isabel Raposo. "Passados dois meses da tragédia, é importante a gente lembrar que a extensão desse desastre infelizmente pode deixar sequelas de médio e longo prazos, caso se comprove a contaminação das águas da Bacia do São Francisco. Do ponto de vista econômico, várias cadeias produtivas que utilizam as águas dessa bacia como insumo de produção podem ter suas atividades comprometidas. Todo esse debate é fundamental para definir ferramentas que auxiliem no gerenciamento de riscos", disse.

Ajude-nos a continuar nosso trabalho independente. Você jamais será livre, sem uma imprensa livre. Contribua.

da Redação

Comentários