A prisão de João de Deus. Justiça, sim, linchamento, não. Ou como separar o "médium" do "monstro"?

Por Ricardo Antunes

Fui o  primeiro jornalista a criticar a forma como Pedro Bial e a Globo deram o "furo" nesse caso das acusações de abuso sexual que teriam sido praticadas pelo médium João de Deus. A cobertura foi tendenciosa e eu já disse por qual motivo. Me parece que a  prisão preventiva que saiu, agora há pouco, foi feita apenas  para atender o "clamor popular".

Dadas a quantidade de relatos eu posso achar que, sim, existem mesmo  fortes elementos que apontam para a culpa do medium famoso em todo mundo. Não vamos aqui fazer divagações,  sobre o porque de,  somente depois de mais de 40 anos,  as denuncias estão emergiram.

 

Todo mundo reagiu da mesma forma? É raro,  mas pode acontecer.

 

A questão que se coloca e está  sendo incentivada pela grande imprensa  pode ser resumida da seguinte forma:  " Como eu tenho certeza que ele é culpado, pouco importa o que diga a lei. A justiça está sendo feita". Fácil, não?

 

Mas não é e nem deve ser assim.  pois, dessa forma, basta uma dezenas de testemunhas contra eu e você e, claro, uma verdadeiro  "fevor  popular"  para que qualquer pessoa possa ser presa. E isso não se chama Estado de Direito.

Outra questão que muita gente esqueceu.

Resumindo: Não contem comigo para tal pois  eu conheço bem onde isso pode vai dar.  Se ele  não está "causando constrangimento" as pessoas, não está "ocultando provas", fica faltando apenas explicar a questao do levantamento de sua conta bancária para que os fundamentos da prisão preventiva, seja revista. "Ele baixou um aplicação", disse seu advogado.

Os seus advogados também nao tiveram acesso ao processo, e eu pergunto, por qual razão?

 

Quem  conhece a região sabe que ele já era um homem rico faz tempo pois mexe com minérios e pedras precisosas. Muita gente da imprensa ainda não sabe disso ?  Ninguém foi investigar quando e porque o médium se tornou milionário?

 

Com tudo isso e, depois de conversar com algumas fontes, acredito que, baixada a poeira do "linchamento" um habeas corpus tem tudo para ser concedido em Brasília. Ou, ainda, o pedido de que ele possa aguardar o julgamento em prisão domiciliar.

 

Afinal, ele não fugiu, se entregou e quer continuar trabalhando - dessa vez com câmaras e as fiscalização da própria justiça, segundo sua defesa.

 

A que separar o " médium "do homem e o "médico" do monstro.

 

O que estão fazendo é colocar os dois na mesma vala comum. Se existem centenas de depoimentos contra o homem, existem milhares de depoimentos sobre o médium.

 

Outro fato que chamou a atenção desse missivista. Onde anda os tantos de famosos que, nas horas de "aflição e desespero", estavam casa de João de Deus, em Abadiânia (GO). Essas pessoas encontraram a paz que procurava ou ele não passa de  um "charlatão"?

 

Por que nenhum jornalista foi ouvir o relato deles sobre o "médico"? A lista é enorme.

 

Não custa lembrar que os inquisidores portugueses fizeram 40 mil vítimas, das quais 2 mil foram mortas na fogueira. Na Espanha, até a extinção do Santo Ofício, em 1834, estima-se que quase 300 mil pessoas tenham sido condenadas e 30 mil executadas. Ela começou no século XII.

 

O problema mais uma vez foi  que a  imprensa foi atrás apenas de um lado.

 

Estou aqui a dizer que ele é inocente? claro que não. Estou a defender o devido processo legal. Fosse por "clamor popular", Lula teria sido preso antes de ser julgado e condenado.

 

Que a justiça faça sua parte.

 

Sobre o trabalho espiritual do médium, pequei aqui um texto de um dos nossos amigos do face e figura mais que insuspeita. Por qual motivo testemunhos como esses não foram também narrados eu não sei. Eles também são fortes. Também são impressionantes.

 

Leiam, comentem e compartilhem.

 

JOÃO DE DEUS, VERSÕES 1 E 2, por Ennio Mainardi

Eu estava com um câncer terminal chamado linfoma No-Hodgkin. Coisa de uns seis anos atrás. O pessoal médico do Sírio, onde eu me tratava, certo dia chamou minha mulher para um papo pesado. Disseram-lhe que a batalha pela minha vida estava quase perdida. E que ela se preparasse. As células brancas do meu corpo ganhavam então das células vermelhas, por 10 a zero.

A Tê então falou então com nossa adorada amiga Anna Maria De Andrade Sharp. E as duas resolveram levar o quase defunto aqui para Abadiânia, Goiás, consultar com o João de Deus. Fomos. Fila enorme. Chegada minha vez ele me perguntou: você tem fé? Eu respondi honestamente: nenhuma. Então ele me levou, cambaleante, para sentar numa cadeira na frente de um monte de gente, em silêncio reverencial.

Colocou as mãos sobre meus olhos, disse umas coisas que eu não lembro.Daí, falou que eu estava curado. Lógico que não acreditei. E chamou todo pessoal dele para me apresentar. As filas pararam. Queria que eles me conhecessem.

Explicou que eu tinha muito mais poder que ele, infinitamente mais. Disse que nesta encarnação eu não tinha vindo para fazer milagres, mas para conhecer este mundo. Em vidas passadas eu tinha sido...sei lá. Santo, profeta, místico, por aí. Bullshit. Talvez.

Meio tonto, cansado, fui levado de volta para o hotel onde estávamos. E aí começou a caganeira mais violenta que tive na minha vida. Que continuou pela madrugada adentro.

Dia seguinte, estava zero bala.

Voltei então direto para o Sírio e...o câncer tinha sumido total da minha corrente sanguínea. Os médicos ficaram espantados.

Bem. Queria agora afirmar duas coisas: aquilo foi milagre, mesmo, chamem como quiserem. E o santificado aqui não entendeu nada, acho que não era para entender, mesmo.

Vi o João mais umas duas vezes. Em estado beatífico, na Versão 1, ele é um milagroso.

Na Versão 2, é igual a um vulgar dono de boteco num cafundó qualquer. Um cara meio ignorantão, que talvez não provocasse em você nenhum interesse em conhecer.

De onde o sujeito tira esse dom de cura? Sei lá. De espíritos visitantes, para praticar o bem? Não me perguntem, que eu não tenho nenhuma resposta. Me sobra só agradecer pela graça concedida.

Quanto ao João Versão 2, se ele deu em cima das mulheres, trata-se daquele João matuto, vulgarzão, encarnado num corpo humano, que também faz altas besteiras sexuais e depois deve se arrepender delas.

Difícil a gente se acostumar com essa essa dualidade - mas é assim."

 


 

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