Opinião

Fiel a seus princípios, Armando “bate na trave”, e sai muito maior do que entrou

Fiel a seus princípios, Armando “bate na trave”, e sai muito maior do que entrou

09/10/2018 22:05

Por Ricardo Antunes

A primeira coisa que fez ao acordar cedo no último domingo (07) foi visitar o túmulo do seu pai, o ex-ministro Armando Monteiro Filho, falecido no início do ano. Ao lado de sua mãe, Maria do Carmo e de sua esposa, Mônica Guimarães, ninguém mais do que ele gostaria que o pai estivesse vivo naquele dia. Foi primeira vez que seus olhos brilharam numa cena vista apenas por poucas pessoas.

A cena que seria vista por muitos, aconteceria  depois das 21h, em seu comitê, quando, ao ouvir as palavras de Mendonça Filho, o elogiando pela “bravura” de lutar contra uma “máquina poderosa”, Armando se emocionou novamente.

E quase foi às lágrimas.

Naquele momento, várias sentimentos  vieram a tona. Afinal, faltou muito pouco para ele levar a eleição para o segundo turno, e tornar o sonho de governar Pernambuco uma realidade repetindo o feito do genro do seu pai, o ex-governador Agamenon Magalhães.

Depois de Bruno Araújo ele começou a falar, mas foi interrompido por palmas de todos. Muita gente se abraçava chorando e lamentando o resultado, que horas antes, era outro, completamente diferente.

Longe de contribuir para a tristeza que tomada conta do “Espaço 14”, Armando pegou o microfone e empolgou a todos com o que tem de melhor: seu poder para a oratória.

Foi elegante ao parabenizar seus adversários e desejou “boa sorte” aos vencedores.  E duro, muito duro, ao lembrar dos ataques feitos a sua família, e das “mentiras repetidas” que, na sua avaliação, ajudaram a confundir o eleitorado.

Reafirmou que a derrota não vai colocá-lo em casa, pelo contrário. Só vai estimulá-lo a  manter a “fiscalização” em torno do Palácio das Princesas  e mostrar que Pernambuco não pode viver apenas sob o “julgo de um grupo político só” – numa referência aos 16 anos de poder que o PSB vai completar. “Pernambuco é maior que tudo isso”, completou.

Após resultados das eleições e ao lado de Mendonça e Bruno, Armando fez discurso enfático

O político “sisudo” de vinte anos atrás deu lugar, com o passar dos anos, a um homem  mais alegre,  soltando a emoção que antes era contida pela timidez,

Armando Monteiro  refez a mesma rota  quatro anos atrás pelos  municípios do estado. Em todos eles levou  a mensagem de mudança, e sentiu de perto a “rejeição” e a “fadiga” de material do atual governo.

Depois de citar seus coordenadores de campanha, e agradecer a confiança dos que lhe deram o voto, Armando abraçou muita gente antes de deixar o comitê, para a noite de sono que só começaria na madrugada da segunda-feira.

O acompanhava aquele sentimento de que, por algum detalhe, tudo poderia ter sido diferente.

48 horas depois, no entanto, ao invés de ir descansar da luta injusta – como é natural de quem perde – pegou o avião e nessa terça (09) já estava em  Brasília retomando o trabalho no Senado Federal.

Era como se tivesse lido o livro autobiográfico de Eliane Maciel, que fez sucesso no final dos  anos 70 e terminou virando filme: “Com Licença Eu Vou À Luta”.

Nele, a autora lembra seu período de juventude em plena ditaura de militar e as dificuldade de lutar contra os “poderosos” de plantão.

Armando, que poderia ter recorrido a algumas ações na reta final da campanha, apenas por “oportunismo eleitoral”, e resistiu bravamente a todas adversidades de uma  campanha majoritária  desigual, pois com menos recursos e estrutura do  que  seu adversário.

E talvez nem tenha se dado conta do que todo mundo percebeu.

Saiu “muito maior do que entrou”, e também fez história.

Uma história, que não acabou no último domingo.

 

(Veja um trecho de sua entrevista no encerramento da campanha)

 

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