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Felipe Carreras e “Carvalheira na Ladeira” querem festa privada em patrimônio histórico. MPF e MP estão no caso

Felipe Carreras e “Carvalheira na Ladeira” querem festa privada em patrimônio histórico. MPF e MP estão no caso

12/01/2018 09:55

Por Ricardo Antunes

> Um dos maiores camarotes do carnaval pernambucano, o “Carvalheira na Ladeira”, organizado por um grupo ligado ao ex-produtor de eventos e, hoje, Secretario de Turismo de Pernambuco, Felipe Carreras, está conseguindo o “aval” da EMPETUR para realizar a festa em uma área de preservação cultural do  patrimônio no Sítio Histórico de Olinda: O Parque Memorial Arcoverde.  A denuncia foi veiculada com exclusividade, ontem, pelo Blog de Noélia Brito e confirmada, hoje, também por nosso blog. O MPF e MP estão de olho no caso.

O blog revelou ainda que a solicitação da Decana Eventos, de propriedade de Eduardo e Victor Carvalheira, está causando “constrangimento” aos servidores do Iphan que estariam sendo “pressionados” a ceder o espaço. Veja a matéria Noelia Brito .

“Não existe interesse público no negócio, somente interesse privado”, diz a denuncia que cita ainda que a locação do espaço está sendo “negociada” a preço irrisório pela Secretaria de Turismo, através da Empetur. Não é a primeira vez que o nome de Carreras aparece envolvido em notícias mal esclarecidas escândalo entre o limite do que é público e do que é privado. Procurada sua assessoria de imprensa não retornou as ligações.
Por sua vez, nossa equipe confirmou que o processo que vai apurar as eventuais irregularidades já foi distribuído para a Promotoria de Urbanismo de Olinda que tem a promotora Belize Câmara como titular. O processo também vai ser distribuído a um promotor do MPF e deve ganhar as manchetes dos jornais na próxima semana.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O “Carvalheira na Ladeira” começou a ser realizado em área do colégio de São Bento (Olinda), em pleno sítio histórico de Olinda. Anos depois, os organizadores mudaram o local para o terreno da antiga Olinda Motor dos irmãos Bento e Martim mas esse ano, segundo nosso blog apurou, eles não conseguiram renovar o contrato.

Diante do impasse, e com um faturamento previsto de mais de R$ 5 milhões nos quatro dias de momo os donos do evento resolveram solicitar “ajuda” ao Secretario de Turismo, Felipe Carreiras, através da Empresa Pernambucana de Turismo (EMPETUR) vinculada a sua secretaria.

 

As tratativas, segundo a denuncia feita ao MPF, estão bem avançadas, começaram no dia 27 de novembro ( documento anexo) e estariam sendo feitas sem qualquer contra-partida.  A suspeita é de que esteja sendo feito uma licitação de “cartas marcadas” com o aval do secretário junto a Empetur.

A denuncia foi protocolada junto ao Ministério Público Federal e ao MP Estadual, como antecipou, ontem, com exclusividade o blog de Noélia Brito. A agência Decana foi fundada há 13 anos e promove várias festas e shows durante todo ano.

 

Em poucos anos o “Carvalheira na Ladeira” tornou-se um dos maiores eventos privados do carnaval pernambucano. Por sua vez, o Parque Memorial Arcoverde é uma área de manguezais que foi aterrada para dar passagem ao encontro de Recife com Olinda em 1990 durante o Governo Joaquim Francisco (ex-PFL) numa obra que até hoje causa polêmica.

 

 

Já o secretário Felipe Carreras começou sua vida como produtor de eventos em 2002 num espaço pequeno atrás de um posto de gasolina em Casa Forte e,  em poucos anos, sua empresa cresceu num ritmo impressionante e que chamou a atenção do mercado de eventos local.  Com a chegada de Eduardo Campos (PSB) ao poder em 2007 , a Festa Cheia, começou a ganhar contratos milionários com o Governo Estadual em parceria com outros sócios.

 

Em 2013, para surpresa do trade turístico, ele assumiu a Secretaria de Turismo da Prefeitura do Recife e, logo depois, a Secretaria de Turismo do Estado, no Governo Paulo Câmara (PSB).

 

Somente após as denuncias e comprovações de que sua empresa firmou mais de 102 contratos sem licitações ele resolveu se licenciar da sociedade com a Festa Cheia. ( veja documento). Carreiras, que é deputado federal e sonha em ser prefeito do Recife, é um dos donos do Caldeirão e comanda o setor com “mãos de ferro”.

 

“Não existe uma festa privada ou pública que não passe por ele e seu controle.  Seja no Recife Antigo, Olinda, aliás, em todo Pernambuco, como o “Tamandaré Fest” e os eventos de Semana Santa e São João em Gravatá e Caruaru, todos eles tem a participação direta ou indireta de Felipe”, desabafa um produtor que pediu para não ter seu nome citado com medo de retaliação.

A Empetur não se pronunciou embora tenha sido procurada através de sua assessoria de imprensa mas o Iphan, através de sua superintendente, Roberta Borba, deu sua versão para a polêmica. ( Veja no próximo post).

Onde tudo começou

Considerado a melhor opção dentre os camarotes de Olinda, a programação do “Carvalheira na Ladeira” reúne as maiores atrações musicais do Brasil todos os anos e muita gente descolada e bonita da cidade. A maioria dos jovens que frequentam as festas da produtora associa o nome apenas às festa do selo quando, na verdade, tudo começou com a Cachaçaria Carvalheira.

 

O bisavô de Eduardo Carvalheira, diretor-geral da Cachaçaria, tinha, em Portugal a Quinta das Carvalheiras, onde produzia vinho. É daí que vem o nome da família. Após vir para o Recife, foi pai de nove filhos e se estabeleceu na capital. Há 30 anos, Eduardo e seu pai, Octávio, resolveram investir em uma tecnologia para envelhecer cachaça em barris de carvalho, como é feito com o rum.

 

Com a ajuda de técnicos de Cuba e com o conhecimento de Octávio sobre a cachaça, eles começaram a oferecer um produto diferenciado no mercado pernambucano e conquistaram nome no mercado graças a muito trabalho e investimento. ” Todas as festas do grupo são feitas com um alto nível de excelência e isso gera empregos e coloca pernambuco na mídia nacional”, disse um concorrente que também realiza eventos no mesmo período elogiando os produtores da festa.

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Comentários

cacilda silva - 13 de Janeiro de 2018

É um absurdo, o que esse Felipe faz, uma das dele foi usar quem apadrinhava ele, Eduardo Campos, então governador, hoje falecido, para usar a influência do mesmo, como político e tomar o Tamandaré Fest dos meninos do Bloco Maluco Beleza, que criaram o evento naquela praia, o prefeito da mesma não liberou a área para o Maluco Beleza realiza-se o evento daquele ano, para forçar a saída dos que idealizaram o evento, por que por trás de tudo estava Felipe com o governador Eduardo, é assim conseguiram o que foi planejado, a área foi liberada para a empresa de eventos de Carrera, do Maluco Beleza ficou apenas um ex-sócio, hoje tem outras empresas envolvida no evento, mas a principal e os direito da área é da empresa do secretário Felipe Carrera, que tem um sócio à frente da mesma, ele não aparece como tal , por exercer cargos público , Dep. Federal e Secretário de governo no estado de Pernambuco.

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Armando Soltone - 21 de Janeiro de 2018

Mais uma armação desse carreras, até quando vamos aguentar isso??

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