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Ex-deputado Gilson Machado revela traições e bastidores do impeachment de Collor

Ex-deputado Gilson Machado revela traições e bastidores do impeachment de Collor

15/04/2016 16:31

Por Ricardo Antunes

Empresário e uma das principais lideranças do setor agro industrial, o ex-deputado pernambucano Gilson Machado foi uma das principais testemunhas dos dias finais do Governo Collor. “Foram dias de traições e com um presidente totalmente desconectado com a realidade”, lembra o parlamentar que integrou a tropa de choque do ex-presidente. Respeitado entre a esquerda e a direita, o ex-parlamentar transitou com desenvoltura pelos bastidores da última crise política que o país viveu e conta, com exclusividade ao nosso blog, como é o clima dentro do Palácio do Planalto quando o fim se aproxima. Qualquer semelhança com dos dias atuais não é mera coincidência. A solidão e os erros de estratégia parecem unir Collor a Dilma.

 

Com estava o clima no Palácio 72gilson-machado1 (1) horas antes do impeachment?

Às vésperas da votação no plenário, recebi uma ligação do próprio Collor, que me chamou ao Palácio. Fui ao encontro dele, que me perguntou o que eu achava do cenário pré-votação. Disse sem rodeios: “vai perder”. Ele disse que estava seguro, pelas informações dos Ministros Ricardo Fiúza e  Ângelo Calmon Sá.  Esse último estava liberando verbas para municípios para deputados, tentando reverter o processo. Na mesma hora eu reafirmei ao presidente : “vamos perder”.

 

 

Como foi dizer ao próprio presidente Collor que ele ia perder?

Imediatamente ele  ligou na minha frente para Fiúza e Ângelo insinuando meu palpite. Ambos disseram que eu não entendia de política. Collor me perguntou quantos votos ele teria em Pernambuco. Respondi: no máximo oito. O presidente repetiu para Fiúza e Ângelo. Ambos me consideraram desinformado. A ante sala de Collor tinha mais de 50 deputados, liberando recursos para os municípios e orientando votos.Quando abriu o painel, Collor só teve cerca de 38 votos, inclusive do grupo de ACM. De Pernambuco  ficaram apenas apenas seis deputados. Fiúza, que era meu amigo pessoal e Ministro da Ação Social, disse que teríamos 15.

Como foi acompanhar os bastidores da votação, e depois ver as “traições” no plenário?

Fiquei enojado com o que vi no palácio antes da votação e o resultado do painel. Vi “Colloridos” antes jurando votos e na hora, com transmissão pela TV, mudando de ideia. A desculpa deles era de que estavam votando em nome da família.

O que o senhor disse ao votar?

Declarei ao vivo na hora do voto, que era uma vergonha o que tinha visto -e aí fiz uma referência pessoal à traição de Cleto Falcão, um dos melhores amigos do ex-presidente. Outro que também traiu o presidente foi o Renan Calheiros.

Porque o senhor abandonou a vida pública? O Congresso Nacional não é um lugar para pessoas sérias?

Abandonei por conta de meu idealismo. Entrei pela causa constitucional e não aceitava falsidades. Não queria me deixar levar por interesses pessoais, pois minha causa é o Brasil. Sempre fui defensor da livre iniciativa e vi que o estado paternalista e empregador não tinha como dar certo. Hoje, após anos deste governo, vimos o resultado dessa política fisiologista.

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