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Cronista ácido e lírico, Carlos Heitor Cony morre aos 91 no Rio de Janeiro. Última palestra no Recife foi em 2006

Cronista ácido e lírico, Carlos Heitor Cony morre aos 91 no Rio de Janeiro. Última palestra no Recife foi em 2006

06/01/2018 11:27

Por Ricardo Antunes

Aos 91 anos, o jornalista e escritor Carlos Heitor Cony morreu por falência múltipla dos órgãos no Hospital Samaritano, em Botafogo, zona sul do Rio, na noite de sexta-feira (5), segundo a assessoria da Academia Brasileira de Letras. Cony era quinto ocupante da Cadeira nº 3 da ABL. Ele foi eleito em 23 de março de 2000, na sucessão de Herberto Sales e recebido em 31 de maio de 2000 pelo acadêmico Arnaldo Niskier e esteve pela última vez no Recife, em 2006, em uma palestra prestigiada pelo amigo e também Ariano Suassuna

Carlos Heitor Cony foi um dos mais prolíficos escritores da história do Brasil. Nascido no Rio de Janeiro em 14 de março de 1926, ele atuou como autor para o teatro, cinema, TV e documentários. Era considerado um cronista ácido e ao mesmo tempo lírico. Na foto que ilustra a matéria ele está ao lado do jornalista e pernambucano Geneton Moares Neto que faleceu em 2006.

Durante a carreira, colaborou com os principais jornais do País e venceu por três vezes o Prêmio Jabuti, com os livros Quase Memória (1996), A Casa do Poeta Trágico (1997) e Romance Sem Palavras (2000).

Mas além dos romances, Cony se destacou como cronista e ensaísta político. Em Quem Matou Getúlio Vargas, Cony explora a controversa biografia do ex-presidente brasileiro e as causas de sua morte. Publicado em capítulos semanais na Revista Manchete, o livro foi censurado pela Ditadura Militar e teve fatos e opiniões refutados pelo Marechal Juarez Távola em textos puplicados na mesma revista.

Cony teve experiências no cinema ao escrever os roteiros de A Noite do Massacre (1975), Os Trombadinhas (1979), Os Primeiros Momentos (1973) e Intimidade (1975). Na TV, ele esteve por trás dos textos de Comédia Carioca (1964) e Marquesa de Santos (1984).Ainda não há informações sobre velório e sepultamento.

O advogado e escritor, Antonio Campos, lamentou o falecimento do jornalista que esteve no Recife, pela última vez em 2006. “Tive oportunidade de traze-lo a Pernambuco para fazer uma palestra sobra a obra de Maximiano Campos. É uma grande perda para a literatura brasileira e para a ABI”, disse ele. lembrando o abraço que Carlos Heitor Cony deu ao reencontrar Ariano Suassuna. “Os dois se falavam sempre e eram muito amigos”, finalizou.

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