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“Cinema Mudo”, a poesia de Talis Andrade

“Cinema Mudo”, a poesia de Talis Andrade

02/09/2015 11:47

cinema mudo

Na roda da fortuna

revejo coisas passadas

cenas de um mundo

esquecido mundo

povoado de sombras

Cenas que passam

em preto & branco

e ceifa a peste

o fogo dizimando

as aldeias e a floresta

Índios vestidos

coa a camisa de fantasma

pajés a profetizar

no frenesi das Santidades

a Terra Sem Males

Cenas mudas

de negros escravos

zumbis mal-assombros

arrastando correntes

nas escuras senzalas

Cenas de um filme

em preto & branco

de capa e espada

góticos sobrados

estalagens malditas

em que se bebe rum

pelas almas dos capitães

dos navios piratas

Pelas ruas do Recife

revejo frades e padres

conspirando pela liberdade

Frei Caneca caminhando

com o baraço dos enforcados

Frente ao espelho

por trás do espelho

visagens vão passando

Embaçados esboços

máscaras trans

figuradas caras

vão passando

Rostos infantis

envelhecidos pelo tempo

Vagantes almas

misturadas com os viventes

em uma dança de cadáveres

Rastejantes sombras

dos governantes quadrúpedes

que roubam a quadra do tempo

Perdidas almas

dos salteadores de estrada

cobradores de impostos

fiscais de justiça

gerentes de banco

contadores de juros

vão passando

Revejo coisas passadas

coloridas imagens

lindas paisagens

lindas meninas

dançando pastoril

no céu de Olinda

os corpos girando

montados em cavalinhos

cavalinhos de madeira

pintados de encarnado

pintados de azul

em um carrossel rodando

rodando nas festas de rua

Comentários

Angelo C Branco - 15 de setembro de 2015

Beleza de poema. Moderno, livre como o autor e elegante e profundo nas observações.

[Reply]

[…] Ricardo Antunes: “O ex deputado do PT, hoje, no PSB, Mauricio Rands e seu irmão, o empresário e professor […]

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