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Cem anos de Mandela: relatos de dor e resistência jogam nova luz sobre cárcere

Cem anos de Mandela: relatos de dor e resistência jogam nova luz sobre cárcere

18/07/2018 19:20

 

Por Breno Salvador de O Globo

RIO – Em 12 de julho de 1976, Nelson Mandela estava prestes a fazer 58 anos, preso há quase 14. Em uma longa carta ao comissário de prisões em Pretória, general Du Preez, o ativista não se furtou a ironizar de frente o regime de apartheid enquanto grifava os abusos e o acosso político sofridos no cárcere:

“É inútil pensar que perseguições de qualquer gênero algum dia mudarão nossas concepções. O seu governo e o seu Departamento têm uma reputação notória por seu ódio, desprezo e perseguição ao homem negro, especialmente o africano, um ódio e um desprezo que formam o princípio básico de uma multiplicidade de leis e processos do país”.

Muito antes de se tornar a figura que completaria 100 anos neste 18 de julho e é celebrada como um dos maiores ícones contra as injustiças raciais e a favor da plena integração social, Mandela teve de lutar contra 27 anos de solidão e censura entre quatro prisões do regime do apartheid sul-africano.

Tachado de homem mais perigoso de seu país, o ativista nunca perdeu a resiliência — mesmo com o sofrimento profundo de estar ano após ano subjugado por um governo segregacionista, sendo acusado de terrorismo e estando isolado da então mulher, Winnie, dos filhos e posteriormente dos netos.

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