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A irritação de Bolsonaro, a trapalhada do general Mourão e a “maça vermelha”  evenenada do paraíso.

A irritação de Bolsonaro, a trapalhada do general Mourão e a “maça vermelha” evenenada do paraíso.

09/01/2019 08:30

Por Ricardo Antunes

A meteórica acensão do filho do vice-presidente Hamilton Mourão, um dia após o presidente do Banco do Brasil Rubem Noaves, tomar posse, desgastou mais uma vez o governo e desagradou até mesmo o presidente Jair Bolsonaro que ficou irritado com a decisão. Afinal, uma gestão sem compadrio e aparelhamento foi uma promessa da eleição. 

 

Claro que isso não significa que os cargos comissionados não sejam ocupados por pessoas de confiança do próprio governo. Mas, não custa lembrar que Bolsonaro se elegeu prometendo ser implacável contra privilégios, portanto, o governo precisa se adequar a essas mesmas regras rígidas.

 

A nomeação, portanto, foi no mínimo “um erro político”, adimtiu um assessor do presidente a esse colunista. “Parece até sabotagem”, me contou outro revelando o “estrago” que ela causou no Palácio do Planalto. Bolsonao não foi sequer consultado da decisão mas concordou em receber o vice para as devidas explicações. Não disse nada mas não gostou do episódio.

 

Antonio Hamilton Rosseli Mourão é funcionário de carreira do BB e antes da nova gestão era assessor empresarial da área de agronegócios. Seu salário  variava  entre R$ 12 mil e R$ 14 mil. Agora, vai passar a  ganhar R$ 36 mi. Ao que tudo indica é um servidor capacitado. Mas na estrutura gigantesca do banco não poderia  podia ir para um cargo de  confiança intermediário?

 

O argumento que é  legal e que o rapaz era “perseguido” não cola até saiu pior que o soneto. O que é legal muitas vezes é imoral. Não se trata disso do mantra que os petistas amavam entoar.  Foi esquecido o provérbio milenar:  ” A mulher de Cesar, não basta apenas honesta. Tem que parecer sê-lo”. ‘É simples.

Resultado da trapalhada. O  vice-presidente sai de uma posição de estadista para ficar no olho do furacão. Tudo que acontecer no BB ele estará  sob suspeita, até porque, até essa semana, não se sabia que o presidente do Banco do Brasil era tão amigo do vice-presidente. Ou ele fez a noemação apenas para agradar?

 

Jair Bolsonaro se elegeu com um discurso de moralização do governo e com o ode à meritocracia para se ascender dentro da máquina pública. A ordem é enxugar e não é a toa que algumas subsidiárias do banco serão privatizadas.

 

Ao permitir um fato como esse, o vice-presidente, General Mourão, e o próprio filho pensaram mais em si própio do que no país. Enquanto vários ministros estão enxugando suas pastas, agora se sabe que existe cargo no Banco do Brasil com um salário de quase R$ 40 mil reais. É muito, gente. Isso tem que acabar.

E o que é pior: Entrega  munição de graça aos seus adversários. Administrar o país exige esforço pessoal e austeridade.

A começar dos principais governantes. Bolsonaro resistiu a tentação de nomear o filho Carlos Bolsonaro para a Secretaria de Comunicação da Presidência.

O vice não resisitu e comeu a maçã. O problema é que ela estava envenenada.

 

Comentários

Antônio José Bezerra de Melo. - 9 de janeiro de 2019

Discordo do termo protecionismo, usado no texto, porque, apesar dele ser filho do vice-presidente, ele é um profissional competente, concursado pelo BB, diplomado, com longa experiência e com diversos cursos de especialização na área em que atua, além de uma longa folha de trabalho prestado ao BB. Quanto ao termo (crescimento meteórico), eu diria crescimento retardado; pois pela longa experiência e competência, ele já deveria ter sido promovido, o que não aconteceu porque a direção do PT não permitiu, inclusive tirando dele uma vaga de estacionamento que tinha direito em seu local detrabalho. O critério de avaliação usado, deve dar mérito a quem mérito merece.

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